O Cérebro de um Psicopata O psicopata é o termo psicológico para descrever o monstruo violento nascido dos piores pesadelos. Para saber como identificar um psicopata, não há nada melhor do que ver o filme Silence of the Lambs (1991). Talvez, a maioria de nós nunca encontrará um Hannibal Lecter, mas os psicopatas realmente existem. Às vezes, os psicopatas encontram-se entre as pessoas mais bem-sucedidas da sociedade. Eles são doutorados na manipulação dos sentimentos outros, enquanto eles próprios não conseguem sentir as emoções. A psicopatia é uma Perturbação Mental que afeta 1% a 2% da população mundial, diz Souza (2016). “É muito mais comum do que nós pensamos”. Certamente nunca nos cruzaremos com um psicopata. Mas é melhor prestar atenção às características da sua personalidade. Geralmente, estes incluem falta de remorso e empatia, são incapazes de assumir a culpa pelos seus atos e manifestar algum tipo de responsabilidade por suas ações. Os psicopatas desenham o plano ao pormenor sem deixar escapar nada e evitar que alguém descubra o próprio plano maqueavélico, ao qual, revelam desta forma um forte controlo sobre os seus próprios impulsos, Silva (2010). Os imensos estudos feitos para compreender a psicopatia indica-nos que se trata de um distúrbio de origem que também se refere a problemas neurobiológicos e psicossociais relacionados ao desenvolvimento da personalidade (Perez, 2012). Indivíduos com psicopatia têm déficits na amígdala que contribuem para sintomas emocionais e comportamentais de psicopatia até aos oito ou nove anos de idade e o aumento da matéria cinzenta que esta estrutura pode representar nos próximos anos de desenvolvimento até a idade adulta. Este fenónemo pode explicar a origem de muitos atos delinquentes (Uematsu, et al, 2012). Palavras-chave: psicopatas, cérebros de psicopatas, estudos neurológicos. Características da personalidade psicopática Blackburn (1998) numa fase inicial desenvolveu dois tipos de personalidade, ambos com alto grau de impulsividade e semelhanças, no que diz respeito à falta de sentimento de culpa ou arrependimento. O tipo primário que se carateriza por uma socialização adequada e uma falta total de distúrbios emocionais. Eles mostram características impulsivas, agressivas, hostis, extrovertidas, autoconfiantes e baixos níveis de ansiedade. Neste grupo, as pessoas narcisistas, histriónicas e anti-sociais são dominantes. Existem mais excitações corticais e autonómicas neste grupo, e uma maior tendência para buscar sensações. É comum encontrarmos muitos destes indivíduos ocuparem cargos políticos. O tipo secundário, caracterizado por isolamento social e características neuróticas, socialmente ansiosas e isoladas, temperamentais e de baixa auto-estima, geralmente hostis, impulsivas, agressivas, esquizóides, evitativas, paranóicas e dependentes. Geralmente ocupam lugares de líderes excêntricos, de seitas e cultos, Blackburn (1998). Ao nível dos exames médicos, estes são os que apresentam maior anormalidade no EEG, Blackburn (1998). Eles são mais isolados e aparentemente submissos, Blackburn (1998). Confirmações mais fortes são registradas por roubo. Esse grupo mostra mais fúria sobre a ameaça, tanto física quanto verbal Blackburn (1998). Ambos os grupos podem corresponder à classificação brilhante de Millon (1998) do Psicopata do Princípio-Lição. A partir da teoria da decência dominante dos psicopatas primários e secundários de Blackburn, Millom considera vários subtipos de psicopatas e menciona que esses indivíduos são muito egocêntricos e têm um profundo desprezo pelos sentimentos e necessidades dos outros, Millom (1998). Millom (1998), apresenta subtipos mais abrangentes do que Blakburn (1998) e afirma que os psicopatas conformes são autênticos influenciadores de pessoas, castos, sedutores, da mesma forma adotam um ar de inocência, às vezes assumem papel de vítima, líder, em suma, assumem encenam o que melhor lhes convém consoante a circunstância. Neste estudo de Millom (1998), analisamos aqui algumas das características que o Millom atribui aos subtipos Malevolentes, Tirânicos e Maléficos, Ambiciosos e Explosivos. Os psicopatas malevolentes são particularmente vingativos, hostis e destrutivos da vida social convencional. Eles são paranóicos, desconfiados e sofrem por antecipação, imaginam jogos de traições e castigos, e pré-visualisam uma crueldade fria e um intenso desejo de vingança. São rancorosos, desumanos, sádicos e paranóicos. Quanto mais castigados e presos por isso, mais sentem fome de vingança, Millom (1998). Millom (1998) refere-se a Disfarce Psicótico, em que o comportamento é caraterizado por um forte disfarce de amizade e sociabilidade. Apesar desta aparência agradável, eles escondem a falta de confiança, tendências impulsivas e profundo ressentimento e mau humor em relação à sua família e pessoas chegadas e tendem a conspirar, mentir, adotar uma abordagem perspicaz para a vida social, serem calculadores, mentirosos e falsos. Quanto aos psicopatas ambiciosos que são apenas ressentidos, mas que ainda têm controle minimamente crítico de suas ações, pequenas transgressões e algumas aquisições são suficientes para moderar essas motivações. Eles estão insatisfeitos pela natureza e querem sempre mais, Millom (1998). A explosão agressiva ocorre de forma precipitada, sem dar tempo para prevenir ou conter. Estes indivíduos explodem sem provocação aparente. São pessoas que representam um perigo iminente para aqueles que moram com eles, Millom (1998) Estudando os cérebros dos psicopatas Em 2007, um estudo focado no uso de linguagem psicopática identificou que eles tendem a planear estratégias relacionais como forma de distrair a atenção do interlocutor e não as mentiras proferidas. Neste grupo, movimentos de cabeça alta e fala mais rápida foram registrados em situações de mentira deliberada (Klaver, Lee e Hart, 2007). Em uma prisão de segurança média, os pesquisadores dividiram 2 grupos e compararam os cérebros de 20 prisioneiros diagnosticados com psicopatia com os outros 20 prisioneiros que cometeram crimes similares, mas não foram chamados de psicopatas. Os resultados revelam diferenças entre os dois grupos, Joseph Newman et al. (2009). O resultado revelou que os indivíduos têm menos conexões entre o córtex pré-frontal ventromedial (ou vmPFC, uma parte do cérebro responsável por sentimentos como empatia e culpa) e a amígdala, responde ao medo e à ansiedade. Ou seja, este estudo vai contra as investigações anteriores sobre psicopatia, as duas estruturas do cérebro, que os cientistas acreditam serem responsáveis pela regulação das emoções e do comportamento para viver na sociedade, não estão a conetar-se em condições normais. Isso pode ser um indicador que justifica a insensibilidade e os comportamentos antisociais de muitos psicopatas. De acordo com Michael Koenigs, este estudo ajuda a