Se algumas pessoas se queixam por falta de família outras se queixam por excesso dela

Quem tem a sorte de ter uma família onde é levado no colo e compreendido a cada queda em vez de criticado e enterrado, que é acarinhado com ternura quando maltratado por alguém com estatuto em vez de insultado e enxovalhado, quando a mãe, pai ou tio lhe pega na mão e diz que o importante é que tu estás bem e o resto vem com o tempo, em vez de dizer coisas do género: és sempre a mesma coisa, uma falhada; queres o quê, não fazes nada de jeito, eu tinha razão, um dia vinhas para o olho da rua. Não vales nada ! Os outros são melhores que tu! Achas no meio de tantos eras logo tu que irias conseguir! És burro(a)! És fácil! És vulgar! O teu irmão é mais inteligente que tu, se fosse ele, não teria sido assim!
Todas estas crenças negativas que ecoam nos nossos ouvidos e crescem nos porões do nosso inconsciente e lá permanecem como uma criança encolhida com medo de arriscar. É nessas crenças que quando o adulto arrisca e numa situação de menos confiança o gatilho das lembranças da memória disparam e lá vêm as criticas destrutivas e se instalam como se de uma verdade se tratasse em forma de ansiedade, ataque de pânico, insegurança, falta de confiança, medo, raiva e zanga.
Estas palavras são-lhe familiares? Estas situações são-lhe familiares? Este tipo de família é-lhe familiar?
Pergunto-lhe se já perdoou esta família. Se já identificou as suas crenças e após esta consciência já as trabalhou?
-A família pode ser tão útil como ter de inútil nas nossas vidas-
Se existem pessoas felizes e sempre em festa em ambiente familiar, poder-se-á dizer que jogaram no euromilhões. Enquanto, que há outras famílias em que o relacionamento é tão tóxico ao ponto de nos matar de toxidade, que se torna difícil sair vivo do meio de tanta frustração, sufoco e manipulação. Talvez por existirem laços de sangue e terem a conotação de família torna-se muito difícil para algumas pessoas romperem com estes vínculos afetivo-emocionais e preferem abdicar da sua própria saúde físico-mental, em nome dos genes.

Se não consegue sair dessa família de sangue, pode usar algumas estratégias, como apenas reconhecer que está aborrecido é o suficiente para lhe dar espaço para lidar com a frustração e a raiva. Se não for suficiente, pratique uma habilidade para enfrentar a situação quando está em stress, como respirar fundo ou fale da situação dizendo a si mesmo: “Eles não querem ser irritantes eu é que estou impaciente” ou “As coisas vão se acalmar quando eu me tentar compreender o porquê das suas atitudes”. Desenvolva uma forte empatia para com o outro, de forma a que seu bem-estar e funcionamento não dependem do que os seus familiares dizem ou não, a seu respeito. Tenha amizades sólidas e verdadeiras que o confortem o suficiente para o compensar a esse esforço. Para isto terá que fazer um esforço extra, ou seja, terá que administrar a ansiedade de todos na sua família, em vez das suas próprias necessidades emocionais. Valerá este esforço? Não seria melhor que ele olhasse para dentro de si mesmo e visse como se sente, em vez de ficar tão preocupado com os comportamentos dos seus familiares só com medo do stress que possa originar ou situações de conflito que possa evitar por opinião própria que possa dar. Sim porque tem opinião. Quando nos falta um forte senso de identidade, queremos ser e fazer o que todos da nossa família esperam de nós. Ignorar nossas próprias necessidades resulta em uma experiência de ansiedade e desconforto sempre que estamos cercados por vários membros da família de uma só vez. E esta atitude só vai camuflar a sua ansiedade e aumentar o seu desesperar e sofrer calado e palavras não ditas aumentam a probabilidade das doenças psicossomáticas. Portanto, esqueça a primeira hipótese. Confuso! Ainda bem! Preciso que pense, urgentemente.
Estamos a falar de família e como entre marido e mulher não se mete a colher aqui também não se pode dar a receita completa apenas umas dicas. Trata-se de um baralho de cartas agora que as tem saiba jogá-las. Boa sorte!
Natacha Seixas
2 Comments
Há famílias que são unidas e se entre ajudam !Agora há outras que deixam muito a desejar e obrigam a tomar medidas mais drásticas ! E também há a questão de amizades que pelo apoio que nos dão tornam-se nossa família de coração !
Tem toda a razão!